Osmar Dias desiste de concorrer nas eleições de 2018

Reprodução / Osmar Dias

O ex-senador Osmar Dias, do PDT, desistiu de concorrer nas eleições deste ano. Ele era pré-candidato ao governo do Paraná. A decisão de renunciar à candidatura foi tomada após reunião hoje (sexta-feira) de manhã e confirmada por meio de carta publicada pelo pedetista.

Na quarta-feira, Osmar recusou apoio do MDB, do senador Roberto Requião, e tinha apenas o SD na chapa. A falta de apoio teria sido um dos motivos da desistência da candidatura. O movimento do irmão, o presidenciável Alvaro Dias, do Podemos, de se aliar com o deputado estadual Ratinho Junior na chapa ao governo também pode ter influenciado na decisão.

Osmar Dias também renunciou à presidência estadual do PDT. Ele encaminhou carta ao presidente nacional do partido, Carlos Lupi, comunicando a decisão.

Em “comunicado aos paranaenses”, Osmar disse que lutou “incansavelmente para construir uma frente política que não o deixasse sozinho”, afirmando que “por ingenuidade ou excesso de confiança” acreditou “que os políticos de todos os partidos haviam compreendido o momento grave”.

O político ainda destacou que não negocia com o interesse público e não faz “acertos perniciosos à sociedade” e também diz na carta que “não agride a consciência em troca de tempo de TV, ou de apoio com base em barganhas escusas ou apoios hipócritas”.

Por fim, conclui dizendo que não disputará as eleições em 2018. Isso também exclui a possibilidade de disputa ao Senado, como especulavam adversários. A convenção do PDT deve ocorrer amanhã no Clube Recreativo Dom Pedro II, em Curitiba, entre uma e quatro horas da tarde.

Agenda

No último fim de semana do prazo legal, partidos políticos realizam convenções que devem ajustar os rumos da corrida eleitoral para o governo do Paraná após a desistência de Osmar Dias, do PDT, de concorrer. Entre as mais estratégicas está a convenção do PP, da governadora Cida Borghetti, pré-candidata à reeleição, que será neste sábado, a partir das 10 horas da manhã, no Espaço Torres, em Curitiba. A convenção do PDT, para oficializar a desistência de Osmar e decidir o caminho do partido, será amanhã e deve ocorrer no Clube Recreativo Dom Pedro II, em Curitiba, entre uma e quatro horas da tarde.

O Podemos, do senador Alvaro Dias, e o PSL, do deputado federal Fernando Francischini, também realizam convenções neste sábado (4). O Podemos vai confirmar a candidatura de Alvaro à presidência da República. Com a aliança nacional com o PSC, que indicou Paulo Rabello de Castro para vice de Alvaro, deve consolidar também apoio ao deputado estadual Ratinho Junior, do PSD, ao governo. A convenção do Podemos será amanhã (sánado), no Paraná Clube, em Curitiba, a partir das 9 horas da manhã.

Outro pendência vem do PSL, que havia anunciado a candidatura do deputado federal Fernando Francischini ao Senado, e agora está entre as principais incertezas. A legenda chegou a marcar convenção para a primeira semana do prazo, mas desmarcou após recuo na possibilidade de aliança com Ratinho Junior. Francischini agora corre atrás também da governadora Cida Borghetti para dar palanque no Paraná ao presidenciável do PSL, deputado federal Jair Bolsonaro. A convenção será amanhã (sábado) na sede do partido, no bairro Mercês.

O Patriotas, cujo presidente é o agente aposentado da Polícia Federal, Newton Ishii, o “Japonês da Federal”, também fará convenção neste sábado (3). Será a partir das 9 horas, no Hotel Flat Petras Residence. Ishii ainda não definiu quem apoirá e nem se sairá candidato, já que poderia ter problemas com a Lei da Ficha Limpa. O ex-agente foi condenado por corrupção e descaminho, ao facilitar a entrada no Brasil de produtos contrabandeados do Paraguai.

O PPS, presidido pelo deputado federal Rubens Bueno, realizou a convenção ontem (quinta-feira, 3), mas deixou ata em aberto para que tome decisão até domingo quanto ao apoio ao governo. Na convenção do PSDB, na quarta-feira, o ex-governador Beto Richa, presidente estadual da legenda, convidou publicamente o prefeito de Guarapuava, Cesar Silvestre Filho, que é do PPS, para coordenar a campanha ao Senado no interior. Rubens Bueno disse que não há problema no convite pessoal.

O PRB, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, confirmou ontem (quinta-feira) apoio à candidatura de Ratinho Junior ao governo.

Também em convenção ontem (quinta), o Solidariedade, do deputado estadual Marcio Paulik, deixou ata em aberto. O SD era a única sigla confirmada na coligação de Osmar Dias. Com o fim da chapa, o partido ainda não anunciou com quem irá se coligar.

Já o PTB, também ontem (quinta), confirmou o deputado federal Alex Canziani como candidato ao Senado na chapa de Cida Borghetti.

PSB e DEM, que já realizaram convenções e ameaçaram deixar a coligação da governadora, caso o PSDB fosse excluído da aliança, já sinalizavam rever as posições. Os dois partidos devem confirmar o apoio à Cida mesmo sem os tucanos, de olho na força do “chapão” governista para elegerem candidatos a deputado federal e estadual.

O MDB, do senador Roberto Requião, que realizou convenção no dia 21 de julho, deve confirmar no domingo (5) se lança a candidatura do deputado federal João Arruda ao governo, depois que Osmar rejeitou aliança.

O PT, do ex-deputado Doutor Rosinha, pré-candidato ao governo, ainda não definiu quem será vice na chapa. Negocia com PCdoB. PSOL, REDE e PRTB têm chapas completas com os candidatos definidos já desde o início do período de convenções.

“Veja a carta de Osmar Dias na íntegra:

COMUNICADO AOS PARANAENSES
Reorganizar o Estado, acabar com o loteamento de cargos, romper com um modelo de governo em que impera o compadrio, a nomeação de pessoas sem qualificação, sem capacidade, libertá-lo dos vícios do patrimonialismo e combater com rigor a corrupção que contaminou as instituições públicas, recuperando o respeito e a confiança da população nas autoridades.
Coragem e determinação para isso foi o que demonstrei em toda minha caminhada.
Durante meses a fio lutei incansavelmente para construir uma frente política que não me deixasse só numa batalha desejada por toda a sociedade.
Encontrei muita gente, nas ruas e nas estradas, sintonizadas com essas ideias, exigindo que as mudanças sejam feitas para não permitirmos que o Paraná e o Brasil sejam empurrados para uma crise ainda mais profunda.
Mas percebi que o sistema político sem reformas não aceita na prática o discurso de mudança que todos os políticos pregam em época de eleição.
Por ingenuidade ou excesso de confiança acreditei que como eu os políticos de todos os partidos haviam compreendido o momento grave que estamos vivendo.
Não cedo jamais em valores e princípios. Aceito discutir e construir alianças políticas que sejam para atender o interesse público. Mas não negocio com o interesse público, não faço acertos perniciosos à sociedade para contemplar pessoas ou grupos políticos que não medem consequências nem custos para ter o poder e repartir suas benesses com amigos e parentes.
Não agrido minha consciência em troca de tempo de TV, ou de apoio com base em barganhas escusas ou apoios hipócritas.
Política não pode ser um jogo dominado por sentimentos e paixões negativas como vaidade, inveja, pensamento medíocre.
Não aceito fazer parte disso!
Prefiro preservar minha história de trabalho e ter dignidade e respeito à minha família e amigos e às pessoas que verdadeiramente gostam e acreditam em mim.
Por isso, comunico que não disputarei as eleições em 2018.
Peço a compreensão e o apoio a essa difícil decisão que é definitiva.
Agradeço sinceramente o carinho que sempre recebi dos paranaenses e, peço que Deus nos conceda suas bênçãos para que tenhamos um futuro melhor para o nosso Paraná.
Osmar Dias”