Polícia quer ouvir presidente do IAP por suspeita de beneficiar agricultores

Foto: Divulgação / IAP

Investigado por favorecer agricultores no estudo realizado para avaliar o impacto da redução da área de proteção ambiental da Escarpa Devoniana, o presidente do Instituto Ambiental do Paraná, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, deve prestar depoimento no início da semana que vem na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. A Polícia Civil abriu um inquérito nesta semana para investigar a conduta do presidente do IAP. Ele foi intimado na terça-feira (24) para prestar depoimento nesta sexta-feira (27), mas pediu adiamento à polícia.

Há suspeita de que ele tenha agido para beneficiar agricultores da região dos Campos Gerais na elaboração de um estudo que embasou um projeto de lei na Assembleia Legislativa, que pretende reduzir em dois terços a Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana. A pedido do IAP, o levantamento sobre o impacto ambiental foi realizado pelo Instituto ABC, que representa cooperativas da região onde fica a área de preservação. Em depoimento, engenheiros da instituição afirmaram a promotores do Ministério Público que utilizaram um avião pago pela Federação da Agricultura do Paraná, a Faep, para sobrevoar a área, com o objetivo de checar a metodologia usada no estudo.

A Faep e o Instituto ABC são partes interessadas na possível redução das áreas. Em um relatório do inquérito, o delegado Danilo Zarlenga Crispim, da Delegacia de Proteção ao Meio-Ambiente, considerou que há indícios de que o IAP se distanciou da defesa da área e passou a dar guarida a atos contrários à preservação.

Em nota, o IAP informa que recebeu na terça-feira a convocação para o presidente do órgão e dois funcionários – como testemunhas – para prestar depoimento na delegacia de meio ambiente nesta sexta-feira (27). Como todos já tinham agendas externas programadas para a semana, na quarta-feira (25) foi solicitada a possibilidade de adiamento dos depoimentos. Uma nova data será agendada para a próxima semana (entre segunda e terça-feira). De acordo com a nota, por respeito às autoridades policiais e por não ter acesso total do conteúdo do processo e, o IAP, os servidores e o presidente não irão se manifestar até os depoimentos serem prestados. A Faep também não quis se manifestar.