Primeiro delator da Lava Jato pode perder o benefício concedido na delação

O primeiro delator da Lava Jato, já condenado na Operação, e que cumpre pena em casa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, corre o risco de perder o benefício concedido por conta da delação premiada. Isso porque, segundo os procuradores do Ministério Público Federal, Costa não teria revelado o esquema de corrupção envolvendo o setor de traiding – de compra e venda de petróleo e derivados – da estatal.

De acordo com o delegado da Polícia Federal, Filipe Pace, Costa pode ser ouvido novamente e ser alvo de medidas judiciais.

As vantagens indevidas apuradas no esquema desvendado na etapa mais recente da Lava Jato beneficiaram servidores da gerência executiva de Marketing e Comercialização, subordinada a diretoria de Abastecimento da Petrobras, que por sua vez era comandada por Paulo Roberto Costa.

Segundo as investigações, multinacionais pagavam propina a funcionários da estatal para conseguir preços mais vantajosos de petróleo e derivados e realizar contratos com maior frequência. Pelo menos 31 milhões de dólares teriam sido pagos em propinas para funcionários da Petrobras, entre 2009 e 2014. Áudios de conversas telefônicas gravadas pela Lava Jato revelam que mesmo com o andamento da operação, os investigados continuavam realizando operações fraudulentas.

Eles se referiam ao então juiz Sérgio Moro, que coordenava as ações da Lava Jato, como o “homem da capa preta”. Em um dos trechos, o ex-gerente de Marketing e Comercialização da Petrobras, Carlos Roberto Martins Barbosa, e os advogados Gustavo Buffara Bueno e André Luiz dos Santos Pazza, discutem sobre transações imobiliárias. Era por meio da compra e venda e de permutas de imóveis que os investigados dissimulavam os valores indevidos movimentados no esquema de corrupção.

De acordo com o procurador da República, Athayde Riberio Costa, os envolvidos no esquema denominavam de “delta” as propinas obtidas nas negociações envolvendo o setor de traiding da Petrobras.

O montante de vantagens indevidas que movimentou o sistema pode ter sido ainda maior e os prejuízos a estatal ainda devem ser calculados.

Os 6 presos preventivos desta nova etapa foram trazidos à Curitiba e ficarão detidos na Polícia Federal. A fase recebeu o nome de Operação Sem Limites em referência aos crimes praticados inclusive no exterior e a busca desenfreada por ganhos de todos os envolvidos.

Reportagem: Juliana Goss

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