Questionadas pelo TCE, mudanças no Simepar devem ser concluídas em dois meses

O governo do estado pretende concluir em dois meses a migração do Sistema Meteorológico do Paraná, o Simepar, da pasta da Ciência e Tecnologia para a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Turismo.

A medida, que é parte da reforma administrativa promovida por Ratinho Júnior, do PSD, levaria a instituição a executar atividades de monitoramento do meio ambiente, como a proteção de barragens. A mudança contraria uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado, que em relatório recente considerou irregular a transferência de funções típicas do Instituto das Águas para o Simepar.

O governo, no entanto, defende a medida, como forma de agregar tecnologia ao monitoramento ambiental. Segundo o TCE, a manobra envolveria a delegação de tarefas para empresas privadas, em um contrato de gestão de R$ 2.412.563,19. De acordo com o governo do estado, no Simepar, as atividades ambientais ganhariam a precisão de radares, satélites e a experiência de profissionais especializados.

O mesmo relatório divulgado pelo Tribunal de Contas do Paraná há uma semana também aponta risco de desastres em estruturas de barragens do estado. O documento é resultado de uma auditoria realizada para avaliar a qualidade do controle da segurança dos reservatórios feito pelo Instituto das Águas do Paraná. A medida foi adotada depois do rompimento da barragem da Vale em Córrego do Feijão, em Minas Gerais, no final de janeiro deste ano.

Até agora, 246 mortos foram identificados e 24 pessoas continuam desaparecidas. Também como resposta à repercussão que o desastre teve em todo o Brasil, Ratinho Júnior anunciou que iria usar a tecnologia do Simepar para monitorar o meio ambiente. De acordo com o governo do estado, a estimativa é de que o Paraná tenha 500 barragens de captação de água.

A promessa é realizar uma revisão das condições de todas as estruturas. A maioria das barragens é para uso de irrigação, abastecimento de água, geração de energia, proteção de meio ambiente e recreação. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM) existem no Estado apenas três barreiras de rejeito. De acordo com o projeto que amplia a competência do Simepar, o sistema vai manter o monitoramento meteorológico.

O instituto pleiteia a compra de mais cinco radares de pequeno porte, que seriam instalados na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), no Litoral, em Maringá e Londrina. Os novos radares se juntariam aos dois de grande porte que já existem, em Teixeira Soares e Cascavel, e a um terceiro, menor, também instalado na Grande Curitiba.

Reportagem: Lenise Klenk