Recursos devem prolongar a espera por um julgamento no caso Muggiati

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Recursos devem prolongar a espera por um desfecho do processo que apura a morte da fisiculturista Renata Muggiati, em Curitiba, há quatro anos. A assistência de acusação calcula que o médico Raphael Suss Marques, acusado de ter assassinado a namorada, pode ser levado a júri popular até o final do ano que vem.

A previsão, no entanto, não considera a possibilidade de recursos serem apresentados aos tribunais superiores. Os advogados de Renata preveem que o médico recorra e que o Tribunal de Justiça do Paraná confirme no começo de 2020 a decisão da juíza Taís de Paula Scheer, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

A magistrada acatou o pedido do Ministério Público do Paraná e determinou que Suss Marques seja julgado no Tribunal do Júri de Curitiba, por homicídio qualificado, caracterizado como feminicídio, lesão corporal e fraude processual. Em nota, o advogado do médico, Edson Abdala, afirma que a defesa foi surpreendida por um vazamento criminoso da decisão e que até o momento não há intimação.

Renata morreu na madrugada de 12 de setembro de 2015. Uma perícia determinou “asfixia” como a causa da morte. A irmã de Renata, a empresária Tina Gabriel, afirma que a decisão sobre o julgamento do médico não é motivo de comemoração. Ela conta que se envolveu em projetos de prevenção à violência doméstica depois da morte da fisiculturista.

Assistente de acusação, Cláudio Dalledone Júnior prevê que o médico Raphael Suss Marques recorra da decisão desta semana. Numa expectativa otimista, o advogado estima que o julgamento pode ser realizado ainda no segundo semestre de 2020.

Para o advogado, a classificação de feminicídio modifica a percepção sobre mortes de mulheres que costumavam ser tratadas como suicídio. Segundo Dalledone, esses casos inclusive provocam mudanças na condução de perícias médicas.

De acordo com a acusação do Ministério Público Estadual, o então namorado de Renata a matou com um golpe e depois, para simular um suicídio, jogou o corpo pela janela do 31.º andar do apartamento onde o casal morava, no Centro de Curitiba. Ao determinar que o acusado vá a júri popular, a juíza Taís Scheer decidiu manter a prisão preventiva dele. A magistrada aponta que Raphael Suss Marques desrespeitou reiteradamente as medidas cautelares nos períodos em que aguardou a decisão em liberdade.

Depois de uma série de idas e vindas da cadeia, o médico está preso preventivamente desde 26 de fevereiro. Na ocasião, ele perdeu o benefício de responder em liberdade após faltar a uma audiência de instrução. Suss Marques alegou compromissos profissionais e foi liberado de comparecer ao ato processual, mas foi flagrado no mesmo dia em um torneio de pôquer.

À época, o promotor do caso alegou que o acusado zombava da Justiça. A acusação traçou um perfil do acusado, descrito como um homem violento e dominador, características que teriam comprovadas por pelo menos mais quatro ex-namoradas dele. A Promotoria alega ainda que o médico manipulava Renata por meio da imposição física e violência psicológica. O casal passou a morar junto em março de 2015, pouco tempo depois de começar o namoro.

Reportagem: Lenise Klenk e Angelo Sfair