Reflexo do bloqueio feito pelo Governo Federal, UFPR pode ficar sem dinheiro para pagar contas básicas a partir de setembro

(Foto: divulgação/ UFPR)

O reitor da Universidade Federal do Paraná, Ricardo Marcelo Fonseca, afirmou nesta sexta-feira (09) que caso o governo federal não faça o desbloqueio de 30% do orçamento – que correspondem a R$ 48,3 milhões – contingenciados em maio deste ano, a instituição corre o risco de não honrar os compromissos financeiros a partir do mês de setembro.

Desde a notícia do corte no orçamento, a UFPR opera no limite e precisou adotar medidas restritivas durante o período de férias, como suspensão dos serviços dos Restaurantes Universitários e a redução de solicitações de diárias de natureza acadêmica e institucional. Segundo o reitor, a baliza de gastos para cada mês era de 8%, dentro dos 70% restantes após o bloqueio da administração federal.

No entanto, Ricardo Marcelo fala que, principalmente nos meses de julho e agosto, esse valor foi reduzido para 5% do limite orçamentário.

O reitor ainda fala que caso os recursos não sejam restabelecidos pelo governo federal, a instituição ficará sem dinheiro para pagar contas básicas a partir do próximo mês, como água, luz e contratos terceirizados. De acordo com ele, áreas mais afetadas são as que dependem de insumos, de pesquisas experimentais e materiais de laboratório.

Para 2019, a Universidade Federal do Paraná tem um orçamento total de 161 milhões de reais. Pelo menos 20 milhões, para pagamento de bolsas de estudo a alunos carentes, não foram afetados com o bloqueio do governo federal. Da integralidade da verba para este ano, a instituição já gastou 80 milhões no primeiro semestre, ou seja, sobram para os próximos meses apenas 10 milhões de reais para manter toda a estrutura da Universidade.

Mesmo frente a um cenário financeiro totalmente restrito, o reitor da UFPR ainda acredita em uma mudança orçamentária.

O reitor ainda falou sobre o programa Future-se, proposto pelo Ministério da Educação com o objetivo de aumentar a autonomia administrativa das universidades federais. Como algumas instituiçãos federais do país sofrem com contingenciamentos e alegam que têm suas atividades prejudicadas com os bloqueios de orçamento, a solução apresentada pelo governo é firmar parcerias entre a União, as universidades e as organizações sociais.

Apesar das críticas, Ricardo Marcelo Fonseca assegurou que não existe rejeição à proposta e que a universidade está aberta a novas possibilidades de captação de recursos, desde que seja mantida a autonomia universitária.

Até o dia 15 de agosto, qualquer cidadão pode se cadastrar na consulta pública e fazer sugestões e comentários sobre a ideia que foi apresentada. Depois, o MEC vai compilar as respostas e analisar se fará mudanças no texto. Só então o Future-se será apresentado ao Congresso Nacional – segundo a pasta, sob a forma de um projeto de lei ou de um decreto do Poder Executivo.

Reportagem: Thaissa Martiniuk e Juliana Goss