Renata Muggiati: quatro anos após morte de fisiculturista, Justiça determina júri popular do médico acusado por feminicídio

(Foto: reprodução)

O médico Raphael Suss Marques, acusado pela morte da fisiculturista Renata Muggiati, em 2015, vai a júri popular. A decisão é da juíza Taís de Paula Scheer, que acatou nesta quarta-feira (9) o pedido do Ministério Público do Paraná. Suss Marques responderá por homicídio qualificado (feminicídio) e lesão corporal.

A juíza intimou as partes e determinou que os autos fossem remetidos ao Tribunal do Júri de Curitiba. Isso deve acontecer após o trânsito em julgado – ou seja, depois da análise de possíveis recursos. Portanto, ainda não há como prever a data em que será marcado o júri popular.

Renata Muggiati morreu na madrugada do dia 12 de setembro de 2015. A perícia determinou “asfixia” como a causa da morte da fisiculturista. De acordo com a acusação, o então companheiro da vítima, Suss Marques, a matou com um golpe ‘mata-leão’. Depois, ele teria jogado o cadáver pela janela do 31º andar do apartamento onde moravam, no Centro de Curitiba, para simular um suicídio. O MP diz, ainda, que o médico emitiu um grito agudo, “com imitação de tonalidade feminina”, com a finalidade de induzir em erro o juiz e a perícia.

Ao pronunciar o acusado a júri popular, a juíza Taís de Paula Scheer decidiu manter a prisão preventiva do réu. A magistrada fundamentou a decisão com base na garantia da lei e da ordem pública, considerando a gravidade do feminicídio. A juíza também apontou que Raphael Suss Marques desrespeitou reiteradamente as medidas cautelares nos períodos em que aguardou a decisão em liberdade.

Depois de uma série de idas e vindas à cadeia, o médico está preso preventivamente desde o dia 26 de fevereiro. Na ocasião, ele perdeu o benefício de responder em liberdade após faltar a uma audiência de instrução. Suss Marques alegou compromissos profissionais e foi liberado de comparecer ao ato processual, mas foi flagrado no mesmo dia em um torneio de pôquer. À época, o promotor do caso alegou que o acusado zombava da Justiça.

Ao longo dos mais de quatro anos desde a morte da fisiculturista Renata Muggiati, o Ministério Público também traçou um perfil do acusado. Suss Marques é tratado como um homem violento e controlador. Em alegações finais, a promotoria afirma que o acusado é “dono de uma personalidade dominadora”, e que manipulava a então companheira por meio da imposição física e violência psicológica.

Logo após o início do relacionamento, em outubro de 2014, Raphael Suss Marques passou a ser o médico responsável por todos os aspectos da saúde de Renata. Ele prescrevia, inclusive, medicamentos psiquiátricos. O casal passou a morar junto em março de 2015, no momento em que o acusado já exigia total submissão da companheira às suas ordens.

É neste contexto que o Ministério Público acusa Raphael Suss Marques por feminicídio e lesão corporal. Após sucessivas brigas, e “motivado pela intenção de ver-se livre de Renata”, o réu teria a asfixiado. Segundo a promotoria, o médico também adulterou a cena do crime ao jogar o corpo pela janela com o objetivo de “garantir a impunidade do feminicídio”.

Procurada pela BandNews FM, a defesa de Raphael Suss Marques ainda não se pronunciou sobre a decisão da Justiça. Os advogados que representam a família de Renata Muggiati devem se manifestar nesta tarde.

Reportagem: Angelo Sfair