Mais três réus são interrogados na ação penal do sítio em Atibaia

Foto: Justiça Federal/Reprodução

Em depoimento à juíza Gabriela Hardt, substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, o ex-presidente da empreiteira OAS, Léo Pinheiro, disse que o ex-presidente Lula pediu que as obras no sítio de Atibaia (SP) permanecessem em sigilo. Segundo o empreiteiro, a OAS gastou cerca de R$ 400 mil na obra, que fez mudanças na sala, na cozinha e no lago do sítio. O ex-presidente teria solicitado a reforma pessoalmente a Pinheiro, que disse que ele jamais perguntou como ressarciria a OAS pelos custos.

De acordo com Léo Pinheiro, o valor destinado à reforma do local teria sido descontado de uma conta corrente que a OAS mantinha com o Partido dos Trabalhadores e as negociações eram feitas diretamente com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

O ex-executivo ainda afirmou que o petista teria solicitado que os documentos relacionados à propriedade do sítio fossem destruídos. Segundo Pinheiro, o pedido foi feito já com a operação Lava Jato em andamento.

Os ex-executivos da OAS, Paulo Gordilho e Agenor Franklin Medeiros, também foram interrogados nesta sexta-feira na ação penal que investiga se Lula teria recebido vantagens indevidas de empreiteiras na reforma de um sítio em Atibaia (SP). Paulo Gordilho reafirmou que ficou responsável pelos projetos da cozinha do triplex do Guarujá e do sítio em Atibaia e que apresentou, junto com o ex-presidente da OAS, os dois projetos a Lula no apartamento dele, em São Bernardo do Campo (SP).

Já Agenor Medeiros afirmou que a OAS teve dificuldade de entrar nos contratos da Petrobras, que Leo Pinheiro tinha uma ligação muito forte com Lula e que usou disso para fazer com que a empreiteira participasse das licitações. Outras duas audiências estão agendadas para a semana que vem.

Na segunda-feira serão ouvidos: o ex-assessor de Lula Rogério Pimentel, o advogado Roberto Teixeira e Fernando Bittar que é apontado pela força-tarefa da LavaJato como laranja do ex-presidente. Os últimos interrogatórios serão no dia 14 de novembro, data em que prestam depoimento o pecuarista José Carlos Bumlai e o ex-presidente Lula. Depois de ouvir todos os réus, a juíza Gabriela Hardt abre o prazo para entrega das alegações finais do Ministério Público Federal (MPF), assistente de acusação e defesas dos réus.

Nesta ação penal, o MPF afirma que o ex-presidente seria responsável por comandar uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar e teria recebido cerca de R$ 870 mil em vantagens indevidas em forma de reformas, construção de anexos e outras benfeitorias no Sítio de Atibaia.  O ex-presidente foi denunciado em maio de 2017 e se tornou réu em agosto do mesmo ano. Ele foi preso no dia 7 de abril deste ano, após ser condenado a 12 anos e um mês, no processo referente ao Triplex do Guarujá.

Reportagem: Thaissa Martiniuk e Juliana Goss

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