Dono da UTC Engenharia reafirma que pagamentos de propina a diretores da Petrobras eram sistemáticos

Foto: Divulgação

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, reafirmou que os pagamentos de propina a diretores da Petrobras eram sistemáticos. Ele voltou a dizer que os depósitos funcionavam como se fossem uma “uma roda girando” e que se discutia apenas o número de parcelas para fazer o pagamento. Pessoa prestou depoimento como testemunha de acusação em processo relacionado a 39ª fase da operação Lava Jato, deflagrada em março deste ano. Essa etapa tem como principal foco o ex-gerente de serviços da estatal, Roberto Gonçalves, que teria assumido o recebimento de suborno entre 2011 e 2012. Durante a audiência, o dono da UTC confirmou ainda que pagou cinco milhões de reais em espécie a Gonçalves. Neste caso, as vantagens indevidas foram pagas pelo Consórcio TUC, representado pela UTC Engenharia, relativas ao contrato da Central de Utilidades do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Ricardo Pessoa ainda esclareceu que como contrapartida dos pagamentos, as empresas que faziam parte do consórcio eram beneficiadas em contratos firmados com a Petrobras. De acordo com o dono da empreiteira, as vantagens indevidas significavam a manutenção de um relacionamento futuro e de novos acordos.

De acordo com as investigações, Roberto Gonçalves usou pelo menos cinco contas no exterior, em nome de off-shores, para receber vantagens indevidas. O ex-gerente continuou a receber propinas em 2014, mesmo depois de a Polícia Federal começar a desvendar o esquema de corrupção instalado na Petrobras. Ainda prestaram depoimento hoje (sexta) como testemunhas de acusação, os ex-diretores da estatal, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco e o executivo Marco Pereira de Souza Bilinski.

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