Preso há seis meses, Cunha trabalha na manutenção do Complexo Médico Penal e faz resenhas

Foto: Divulgação – arquivo

Desde março, o ex-presidente da Câmara Federal e deputado cassado Eduardo Cunha ocupa o tempo trabalhando na manutenção de uma galeria do Complexo Médico Penal (CMP) de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Mais do que uma ocupação, a atividade pode render redução da pena de 15 anos e quatro meses de prisão a que foi condenado no final do mês passado (março), por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A defesa ainda pode recorrer, mas como as decisões do juiz Sérgio Moro têm sido confirmadas na segunda instância, todos os réus da Lava Jato têm manifestado interesse em trabalhar.

Nesta quarta-feira (19), Cunha completa seis meses na prisão. Os dois primeiros, cumpridos na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Os outros quatro no CMP, que tem parte de uma galeria reservada para investigados na Lava Jato. A jornada de trabalho de Cunha em reparos na estrutura da galeria varia de 6h a 8h diárias, mas não pode exceder 44 horas semanais. Cada três dias trabalhados podem resultar em um dia a menos de prisão. O ex-deputado também participa do Programa Remição da Pena pela Leitura.

Os presos que se voluntariam para o projeto precisam ler uma obra literária e produzir uma resenha por mês, escrita, reescrita e finalizada sob a orientação e avaliação de um professor. Cada nota 6 representa 4 dias a menos de prisão. Nesses seis meses de prisão, Eduardo Cunha manteve uma rotina disciplinada em relação à ação penal. Leu o processo, assim como as colaborações em que é citado. Mesmo sem precisar, esteve presente em todas as audiências da ação penal, no prédio da Justiça Federal, em Curitiba.

Fontes ouvidas pela BandNews dizem que Cunha demonstra frieza. Não teria esboçado reação nem mesmo quando soube que a esposa, Claudia Cruz, sofreu um acidente, em janeiro deste ano. Quando foi interrogado, no início de fevereiro, surpreendeu até advogados ao ler uma carta em que dizia ter aneurisma cerebral semelhante ao da ex-primeira dama Marisa Leticia. Ainda reclamou da falta de assistência no presídio.

O diretor do Departamento Penitenciário do Estado, Luiz Alberto Cartaxo, diz que Cunha recebe toda a assistência clínica necessária.

A galeria 6 do CMP, onde ficam os presos da Lava Jato, é destinada a detentos com direito a prisão especial. Em cada corredor, cerca de 70 presos. Em cada cela de 12 metros quadrados, três detentos. Sobre Cunha, carcereiros não têm reclamação de indisciplina. Luiz Alberto Cartaxo diz que os presos da Lava Jato são cuidadosos.

No corredor onde Eduardo Cunha está detido, estão mais oito réus da Lava Jato, entre eles o ex-ministro José Dirceu, os ex-deputados federais Luiz Argôlo e André Vargas, e o ex-senador Gim Argello. Na ala, ficam presas pessoas como as que têm ensino superior, policiais e guardas. Outras galerias, às quais os presos da Lava Jato não têm acesso, são reservadas para doentes e feridos. Eduardo Cunha também responde a uma ação de improbidade administrativa na 6.ª Vara Federal de Curitiba, que em junho do ano passado determinou a indisponibilidade dos bens do ex-deputado, da mulher dele, Cláudia Cruz, do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada e mais dois investigados. Procurados, advogados de Eduardo Cunha preferiram não se manifestar nesta reportagem.

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