Cunha diz em depoimento que seu silêncio “nunca esteve à venda”

 

Imagem divulgação – arquivo

O deputado cassado Eduardo Cunha disse em depoimento à Polícia Federal que o silêncio dele “nunca esteve à venda” e que nunca foi procurado pelo presidente Michel Temer ou por interlocutores para que não fechasse um acordo de delação premiada. O ex-deputado falou por cerca de uma hora e meia na superintendência da PF, em Curitiba. De acordo com o advogado de defesa, Rodrigo Sanchez Rios, foram feitas a Cunha 47 perguntas, mas apenas as que faziam referência ao conteúdo da delação premiada dos donos da JBS é que foram respondidas.

Em depoimento à procuradoria-geral da República, o empresário Joesley Batista afirmou que pagou cinco milhões de reais em troca do silêncio do peemedebista. No entanto, o advogado de Cunha disse que na audiência de hoje (quarta) o ex-deputado rebateu essa afirmação.

Os advogados do ex-deputado tentaram adiar a oitiva com o argumento de que não tiveram acesso às gravações que citam o presidente Temer com 48 horas de antecedência. No entanto, em despacho de hoje (quarta), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, disse que todos os materiais estão à disposição dos interessados e o acesso independe de autorização judicial.

O advogado Rodrigo Sanchez Rios comentou ainda que Cunha respondeu aos questionamentos como declarante e apenas se manteve em silêncio quando foi perguntado sobre o suposto recebimento de propina por parte de empresas interessadas em obter empréstimos do Fundo de Investimentos do FGTS. Segundo a defesa, esse tema não faz parte do inquérito que investiga Temer.

Condenado a mais de 15 anos de prisão, o ex-presidente da Câmara permanece detido no Complexo Médico Penal, na região metropolitana de Curitiba.

Deixe um Comentário Os comentários serão avaliados por um moderador. Comentários considerados inadequados, impróprios ou ofensivos não serão aprovados

*