Defesa afirma que valores doados por Antônio Palocci para compra de imóveis das filhas foram declarados à Receita

(Foto: Divulgação / Agência Brasil)

A defesa de Antônio Palocci disse que o pedido do Ministério Público Federal de sequestrar imóveis da filha e da enteada do ex-ministro “parte de uma premissa juridicamente equivocada”. Por meio de nota, o advogado Alessandro Silvério disse que a força-tarefa da Lava Jato presume a ilicitude de todo e qualquer comportamento do ex-ministro. De acordo com a defesa, os valores doados por Palocci às filhas, com os quais elas adquiriram os imóveis, foram devidamente declarados à Receita Federal. Em petição encaminhada ao juiz Sérgio Moro, o procurador Januário Paludo alega que dois apartamentos de elevado valor e que ficam em São Paulo foram obtidos por Palocci por meio de recursos ilícitos. Desta forma, segundo a acusação, o ex-ministro teria tentado ocultar patrimônio obtido ilicitamente.

No documento, o procurador afirma que o ex-ministro declarou uma doação em junho de 2014, de quase R$ 3 milhões à filha, Carolina Palocci. Na sequência, ela teria adquirido um apartamento de R$ 2 milhões. Da mesma forma, um ano depois, o ex-ministro declarou a doação de R$ 1,6 milhão para a enteada Marina Watanabe. O dinheiro teria sido utilizado para a aquisição de outro imóvel de quase R$ 1,5 milhão. Segundo o procurador, o pedido de sequestro dos bens deve garantir os efeitos de uma eventual condenação, para reparações. Palocci responde a duas ações penais no âmbito da lava jato. Ele é acusado de intermediar o pagamento de propinas pagas para empreiteira Odebrecht ao PT. O ex-ministro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde setembro do ano passado. Ele foi detido durante a trigésima quinta fase da lava jato, batizada de Omertá. Nesta etapa, é apurado se Palocci recebeu propina para atuar em favor da Odebrecht entre os anos de 2006 a 2013. A denúncia está relacionada à obtenção, pela empreiteira, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobras. De acordo com os investigadores, os repasses feitos ao ex-ministro teriam ultrapassado R$ 128 milhões.

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