FHC diz em depoimento a Moro que presidente não tem como saber de tudo no cargo

(Foto: reprodução/Youtube)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso negou em depoimento ao juiz Sérgio Moro ter recebido “por fora” qualquer pagamento por serviços prestados por ele. FHC falou na condição de testemunha de defesa do ex-presidente Lula, que é réu em ação penal que trata da propriedade do sítio em Atibaia, no interior de São Paulo.

No processo, o petista é acusado de ter recebido vantagens indevidas da OAS, da Odebrecht  e da Schahin Engenharia em forma de benfeitorias no sítio. Na audiência, FHC foi questionado pelo magistrado sobre como eram feitos os pagamentos quando era convidado a dar palestras em empresas. O ex-presidente foi taxativo e negou ter recebido qualquer valor ilegal de algum contratante em troca de reformas em propriedades.

FHC explicou ainda que o acervo de cada ex-presidente precisa ser mantido pelos ex-mandatários, gerando assim demandas pessoais de depósito. Ele disse também que depois que o presidente deixa o cargo ele é obrigado a manter todos os objetos adquiridos e, para isso, FHC esclareceu que em algumas oportunidades se utilizou da Lei Rouanet. Fernando Henrique Cardoso ainda deixou claro que tudo é registrado.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a dizer em depoimento que um Presidente da República não tem como saber de tudo o que ocorre na administração pública e afirmou que um chefe de governo tem outras instâncias de responsabilidade. Para ele, não é lógico transferir todo o encargo para o presidente.

Ao chamar FHC como testemunha de defesa, a intenção dos advogados de Lula era mostrar que Fernando Henrique também criou um instituto, que recebeu doações de instituições privadas e que também prestou palestras remuneradas a diversas empresas privadas, no que seria uma situação natural para ex-presidentes.

Até o final de junho, mais de 50 pessoas ainda prestam depoimento como testemunhas de defesa convocadas pelos 13 acusados do processo. Lula também chamou a ex-presidente Dilma Rousseff, que será ouvida em 29 de junho, por videoconferência. Apenas depois de esgotadas todas as audiências com testemunhas de defesa é que os réus, entre eles Lula, serão interrogados.

Na denúncia, o Ministério Público Federal afirma que os recursos para a reforma no sítio de Atibaia foram contrapartidas de oito contratos da Petrobras. Quatro deles com a Odebrecht, três com a OAS e um com o Grupo Schahin. Advogados afirmam que Lula jamais praticou qualquer ato em benefício de empreiteiras durante o período em que ocupou a Presidência da República e tampouco recebeu qualquer vantagem indevida na forma de propriedades ou reformas de imóveis.

Segundo a defesa, Lula não é dono do sítio, que está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar. Suassuna é sócio de um dos filhos do ex-presidente. Fernando Bittar é filho de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas e amigo de Lula. Todos alegam que a propriedade era apenas usada pelo ex-presidente, que mantém uma amizade de 40 anos com a família Bittar.

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