Irmão de Beto Richa é citado na delação de diretor da JBS

Depois do governador Beto Richa, agora o irmão dele, Pepe Richa, também citado na delação do diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, é quem nega ter recebido dinheiro de propina. Em nota divulgada nesse fim de semana, José Richa Filho, secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, se diz profundamente indignado com a menção ao nome dele no que ele mesmo chama de “festival de propinas e milionárias ampliações patrimoniais”. O irmão mais velho do governador do Estado foi apontado pelo delator como uma espécie de emissário, responsável pelo recebimento de R$ 1 milhão em dinheiro vivo destinados à campanha de Beto Richa.

Na nota, Pepe Richa afirma querer justiça e a punição dos responsáveis pelas organizações criminosas que atuaram no Brasil em conjunto com segmentos políticos e que saquearam os cofres públicos. Ele também critica a institucionalização do modelo de desvio incorporado nas entranhas do funcionamento do Estado em um vultuoso esquema de corrupção.

O secretário é citado em um dos anexos da delação, de número 36. Na colaboração, o executivo disse que fazia doações a políticos e partidos por orientação do dono da JBS, o empresário Joesley Batista. Saud esclareceu que os pagamentos podiam ser feitos de três formas: por meio de doação oficial, notas fiscais avulsas ou via entrega de dinheiro em espécie, e que cabia ao político beneficiado a escolha do método de recebimento dos valores. No caso de Beto Richa, o montante teria sido entregue ao irmão na porta de um supermercado de Curitiba.

05.22 – RICHAS X JBS

Com base nas delações da empresa JBS, a Procuradoria Geral da República é quem vai decidir se há ou não elementos para abertura de um inquérito contra o governador do Paraná. Pepe Richa, no entanto, nega a participação em qualquer esquema. No documento divulgado, ele declara o seguinte: repudio as falsas afirmações a mim dirigidas pela pessoa do “delator” da JBS Ricardo Saud, de quem não recebi dinheiro algum. Em 2014, sequer fiz parte do comitê financeiro de campanha do PSDB. Repito: não peguei e não recebi valor algum da JBS. O delator mente.

Na mesma nota, o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná se defende com o argumento de que os atos dele falam por si e que tem consciência das obrigações inerentes à posição de gestor público. Pepe Richa encerra o documento dizendo que confia na capacidade de discernimento das pessoas de bem, na afirmação da verdade e na atuação isenta da Justiça.

O diretório estadual do PSDB vem mantendo a afirmação de que todas as doações feitas à campanha do governador Beto Richa foram legais. O partido confirmou que o Comitê Financeiro da Campanha Eleitoral de 2014 recebeu duas doações do grupo JBS S/A, nos valores de um R$ 1,1 milhão e R$ 1 mil (um milhão de reais e mil reais). Também por meio de nota, o partido ressalta que todas as doações estão declaradas na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral e em conformidade com a legislação. Já o governador Beto Richa não pretende se manifestar sobre o caso.

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