Moro nega pedido de Bendine para encontro reservado com a defesa dentro do Complexo Médico Penal

O juiz Sérgio Moro não autorizou que o ex-presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, e a defesa do acusado tivessem contato pessoal e reservado dentro do Complexo Médico Penal, na grande Curitiba, onde está preso. O objetivo do pedido, segundo os advogados, é preparar Bendine para o novo interrogatório marcado para a próxima terça-feira, dia 16 de janeiro.

A defesa pediu que o contato com o ex-presidente da Petrobras fosse feito sem a intermediação do interfone, viabilizando assim, o exame de documentos constantes na ação penal. Para os defensores, a barreira física do parlatório não permite a análise aprofundada das informações e viola o direito à ampla defesa do acusado.

Em despacho desta quinta-feira (11) que indeferiu a solicitação, Moro esclareceu que a conversa pelo parlatório da penitenciária não deixa de ser reservada e que não há qualquer interferência nesse contato. Além disso, o juiz explica que esse contato não impossibilita o exame e leitura de documentos, já que é mantido o contato visual entre os interlocutores.

O magistrado ainda destaca que a denúncia envolvendo o ex-presidente da Petrobras foi recebida em agosto do ano passado e, portanto, os advogados tiveram condições e tempo para conversar longa e adequadamente com o cliente para prepará-lo para a defesa durante novo interrogatório.

Bendine já prestou depoimento em juízo, mas na última audiência, em 22 de novembro, Bendine optou por ficar calado. Primeiro, a defesa alegou que não teve acesso a documentos que considerava relevantes para dar sequência ao processo.

Outro motivo do silêncio foi o interrogatório do operador financeiro André Gustavo Vieira da Silva, réu na Lava Jato na mesma ação penal que envolve Aldemir Bendine. Ele afirmou em interrogatório ao juiz Sérgio Moro que fez repasses de propina ao ex-presidente da Petrobras que totalizaram 950 mil reais. Bendine se limitou a dizer que não responderia a nenhuma pergunta e afirmou que estava sendo vítima de um complô.

O ex-presidente da Petrobras está preso desde o dia 27 de julho de 2017, quando foi deflagrada a 42ª fase da operação Lava Jato, batizada de Cobra. Nesta ação penal Bendine é acusado de ter recebido R$ 3 milhões em propina da empreiteira Odebrecht para facilitar a participação da empresa em contratos com a Petrobras.

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