Defesa de Lula vai entrar com recurso contra a decisão que tira o ex-presidente da disputa eleitoral

(Foto: Lenise Klenk/BandNews Curitiba)

O candidato à vice-presidência da República Fernando Haddad disse após reunião com Lula, nesta segunda-feira, que a defesa do petista vai entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barrou a candidatura do ex-presidente.

O anúncio foi feito após duas reuniões com Lula que duraram mais de cinco horas na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro. Haddad explicou que serão interpostos dois recursos em caráter liminar – um deles na esfera criminal e outro na esfera eleitoral, a fim de garantir a participação de Lula nas eleições de 2018.

Além disso, o candidato a vice-presidente afirmou que uma nova petição será encaminhada ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. O objetivo é fazer com que a entidade se manifeste sobre a decisão do TSE que retirou a candidatura do petista por conta da Lei da Ficha Limpa.

No primeiro encontro entre Lula e Haddad após a determinação do TSE, que deu prazo de 10 dias para que o PT substitua o candidato, a chapa petista descartou a substituição imediata, informando que irá até as últimas consequências jurídicas para garantir a candidatura de Lula. Haddad ainda afirmou que todas as medidas estão sendo tomadas para que as plataformas de campanha – rádio, televisão e internet –  estejam em conformidade com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que impede que Lula seja apresentado como candidato.

Pelo menos dez pessoas entraram na Polícia Federal para conversar com o ex-presidente. Todos na condição de advogados, inclusive Haddad e a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann. Ela disse ainda não ter sido notificada da decisão judicial que a impede de atuar como advogada de Lula.

Ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad chegou pela primeira vez à Polícia Federal em Curitiba acompanhado da esposa, a professora universitária Ana Estela Haddad. Os dois foram fotografados juntos na saída do prédio, uma cena simbólica no processo de transição da candidatura. Haddad e Lula haviam estado juntos na quinta-feira passada, quando o atual candidato a vice também fez uma caminhada de campanha pelo Centro de Curitiba.

No dia seguinte, entre a noite de sexta e a madrugada de sábado, o TSE julgou pedidos de impugnação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e decidiu que ele não pode mais ser candidato. Lula está preso desde 7 de abril, em cumprimento antecipado da pena de 12 anos e um mês de prisão, por condenação no caso do triplex no Guarujá.

O entendimento do relator do processo, ministro Luís Roberto Barroso, foi o de que o ex-presidente não pode disputar as eleições porque está enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Ele foi seguido por cinco outros ministros. Apenas o ministro Luiz Edson Fachin, que é relator da Lava Jato no STF, se posicionou de forma contrária.

Reportagem: Lenise Klenk/Thaissa Martiniuk

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