Documentos apreendidos na fase 54 da Lava Jato podem ajudar a identificar recursos ilícitos escondidos no exterior

Documentos e materiais apreendidos nesta terça-feira (25) em Portugal podem levar procuradores da Lava Jato a identificar recursos financeiros ilícitos escondidos no exterior.

Na fase de número 54, a força tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba contou com uma cooperação internacional para cumprir cinco mandados de busca e apreensão em endereços em Lisboa, ligados ao operador financeiro Mário Ildeu de Miranda. Ele já havia sido alvo de outra etapa da Lava Jato, realizada no mês de maio em endereços no Brasil. Miranda também foi alvo de mandado de prisão preventiva, mas pagou fiança de R$ 10 milhões e responde ao processo em liberdade.

De acordo com as investigações, o operador teria participado do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras e a Odebrecht, em um contrato fechado em 2010 de mais de US$ 825 milhões. Segundo o MPF, a contratação movimentou mais de US$ 56,5 milhões em propinas. Os pagamentos foram efetuados com a atuação do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht e por Mário Ildeu de Miranda.

De acordo com o procurador Júlio Noronha, que acompanhou a operação em Portugal, a nova fase da Lava Jato consolida o apoio de autoridades estrangeiras na coleta de provas documentais.

A operação em Portugal também foi acompanhada pelo delegado Felipe Hayashi. Principal investigado na nova fase da Lava Jato, Mário Ildeu de Miranda não foi preso de imediato na fase de número 51 porque havia deixado o país na véspera, com destino a Portugal. Dias depois, ele se apresentou às autoridades, mas sem entregar celulares e outros equipamentos eletrônicos.

Por esse motivo, as buscas nos endereços de Miranda, realizadas em Lisboa nesta terça-feira (25), tiveram por objetivo apreender documentos e dispositivos eletrônicos que possam estar escondidos, além de identificar provas de outros crimes para dar continuidade às investigações. A operação teve o apoio da Secretaria de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República. Desta forma, o Ministério Público de Portugal pode então cumprir os mandados de busca e apreensão.

Reportagem: Lenise Klenk/ Juliana Goss

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