Moro autoriza PF acessar delações da Odebrecht para auxiliar as investigações relacionadas à empresa de palestras de Lula

(Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4)

O juiz Sérgio Moro autorizou a Polícia Federal a acessar todos os depoimentos de executivos da Odebrecht e documentos relativos as delações para auxiliar nas investigações sobre pagamentos indevidos e lavagem de dinheiro relacionados à LILS Palestras. Em despacho nesta segunda-feira (30), o magistrado liberou a utilização das provas e elementos probatórios presentes na documentação para a apuração dos fatos relacionados a empresa de palestras aberta por Lula em 2011.

O Ministério Público Federal também foi favorável a solicitação da Polícia Federal. A força tarefa da lava jato suspeita que diversos pagamentos de serviços prestados pela LILS tenham mascarado o recebimento de propinas.

Segundo as investigações, a empresa do petista recebeu 9 milhões e 300 mil reais das principais empreiteiras do país, sem a comprovação de que todas as palestras foram realizadas de fato.

O inquérito foi instaurado em novembro de 2015. Devido à grande quantidade de material que integra as investigações, a PF foi autorizada seis vezes a prorrogar o prazo para concluir a apuração. Depois da conclusão do inquérito, as informações devem ser enviadas ao Ministério Público Federal. Na sequência, os procuradores podem apresentar denúncia ao juiz Sérgio Moro, que decide se abre ou não uma nova ação penal contra Lula.

O ex-presidente é citado em três processos da lava jato em Curitiba. Ele foi condenado em primeira instância a 9 anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na ação penal que envolvia o recebimento de propina da OAS pela aquisição do tríplex do Guarujá.

Lula ainda responde a outro processo que envolve o recebimento de vantagens indevidas da Odebrecht pela compra de um terreno para o Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo. Em outra denúncia ele responde por corrupção e lavagem de dinheiro relacionado as reformas custeadas pela Odebrecht e pela OAS no Sítio de Atibaia.