Retrocesso na Lava Jato é prejuízo também para a economia, avalia Deltan Dallagnol

Foto: divulgação/ Diego Wladyka

O procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou nesta segunda-feira (13) que a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) do Ministério da Justiça e Segurança Pública é um claro sinal de retrocesso. Em palestra durante Congresso sobre Macrocriminalidade e Combate à Corrupção, o procurador ainda fez duras críticas a medida provisória que veda a atuação da Receita Federal em crimes não fiscais, como corrupção.

Para Dallagnol, eventuais declínios na operação Lava Jato trarão impacto negativo também para a economia do País.

Apesar da importância da Lava Jato para revelar esquemas suspeitos, Deltan Dallagnol lembrou que somente a operação não é suficiente para acabar com a corrupção no Brasil. Ele disse que é preciso criar medidas para mudar a situação e ressaltou que a sociedade não pode se deixar levar pelo cinismo e pela desesperança.

Em tom bem-humorado, Deltan ainda comparou a operação a uma briga entre cães.

No mesmo evento, o juiz federal Marcelo Bretas, que está à frente da Lava Jato no Rio de Janeiro, chamou de ‘excelente escolha’ a possibilidade de o nome do ministro Sérgio Moro ser indicado para o Supremo Tribunal Federal.

Bretas ainda afirmou que a prisão do ex-presidente Michel Temer não é ‘uma antecipação de pena’.

Para o magistrado, todo processo está sujeito a excessos.

O magistrado ainda comentou que o pacote anticrime, proposto pelo Ministro da Justiça Sérgio Moro, é bem-intencionado e inteligente, mas afirmou que ainda não teve a oportunidade de analisar todas as medidas do projeto.

Reportagem: Thaissa Martiniuk/ Cleverson Bravo