Audiência pública volta a discutir poluição sonora causa por apito de trem em Curitiba

(Foto: Rodrigo Fonseca/CMC)

No dia 3 de outubro, uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Curitiba deve voltar a discutir a poluição sonora causada pelo apito de trens na cidade. Devem participar do debate representantes da empresa Rumo, concessionária da ferrovia Norte-Sul, além de técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), da Secretaria Municipal de Trânsito, Urbs e Promotoria de Justiça de Meio Ambiente.

O tema é recorrente. Moradores de regiões próximas ao traçado da linha férrea reclamam do barulho causado pelo apito que – segundo eles, não tem hora para ser disparado.

A bancária Fernanda Garcia Barroso mora no Cristo Rei, próximo a dois trilhos. Para ela, o principal problema é o soar do apito durante a madrugada.

Em outubro do ano passado, os vereadores aprovaram um projeto que desobrigou a Prefeitura de Curitiba a sinalizar as passagens de nível, por meio de placas, cancela automática ou outros dispositivos. A responsabilidade foi atribuída à concessionária da linha férrea.

Para alguns vereadores, o uso dos apitos é inevitável enquanto a sinalização não é adequada. Fernanda também acredita que as cancelas seriam um bom substitutivo para o apito.

Essa também é a opinião do engenheiro eletrônico Eduardo Todt, que morou por sete anos próximo a uma linha férrea no Alto da XV. Além do barulho, ele acredita que falta uma sinalização adequada que garanta a segurança do trânsito.

Segundo a Presidência da Câmara, um procedimento foi aberto no Ministério Público Federal e estabelecido um prazo para a concessionária Rumo apresentar respostas a questionamentos apresentados. Os vereadores discutem a possibilidade de limitar o volume do ruído. A audiência está marcada para 3 de outubro, das 14h às 16h, no auditório no Anexo II da Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Uma lei municipal de 2005 chegou a proibir a circulação de trens por Curitiba no período noturno, mas a norma foi suspensa por decisão judicial.

Em nota, a empresa Rumo afirma que a buzina é um item essencial de segurança para a operação e a população. A concessionária explica que os horários de circulação dos trens dependem das operações de carregamento e descarregamento, entre outros fatores.

Quanto ao som do apito, a Rumo afirma que segue as orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabelece que o nível de pressão sonora da buzina deve ser no mínimo de 96 dB e máximo de 110 dB.

Reportagem: Lenise Klenk