Polícia Federal deflagra 3ª Fase da Operação Carne Fraca

(Foto: Juliana Goss/ BandNews FM Curitiba)

Os presos temporários da terceira etapa da Operação Carne Fraca serão trazidos para a sede da Polícia Federal em Curitiba. Entre eles está o ex-presidente global da BRF Brasil Foods, Pedro de Andrade Faria, e outras nove pessoas ligadas a empresa.

Segundo as investigações, cinco laboratórios credenciados junto ao Ministério da Agricultura e laboratórios de análises da empresa do ramo alimentício fraudavam resultados de exames feitos nas carnes e repassavam ao Serviço de Inspeção Federal para a obtenção de certificação de produtos.

De acordo com as apurações, entre 2012 e 2015, três frigoríficos – sendo um deles no Paraná e outros dois de Goiás – ligados a BRF Brasil Foods alteraram as análises feitas nas carnes de aves retirando a constatação da presença da bactéria Salmonella para que os produtos pudessem ser vendidos para o exterior. Entre os países consumidores estavam a China, África do Sul e a Rússia.

Nesses países, a tolerância a presença da Samonella é praticamente zero, diferente do Brasil que, devido a produção em grande escala, permite que até 20% das mercadorias tenham a bactéria. A princípio as fraudes ocorreram somente em produtos destinados ao mercado externo, por isso, segundo o coordenador-geral de Inspeção do Ministério da Agricultura, Alexandre Campos da Silva, a população não deve se preocupar.

A Brasil FoBRF ods é responsável pelas marcas Perdigão e Sadia. As vendas de aves para o exterior realizadas pelos 3 frigoríficos ligados a empresa foram suspensas. No entanto, os estabelecimentos não foram interditados pelo Ministério da Agricultura porque ainda não se sabe se as fraudes nos exames ocorreram também em produtos comercializados no Brasil.

O coordenador-geral de Inspeção do Ministério esclarece ainda que, no Brasil, as carnes não podem possuir dois tipos de “sorovares”, ou seja, bactérias. São tipos de Samonella que afetam a saúde pública. Se qualquer empresa detectar a presença do microrganismo aí então o órgão fiscalizador deve aplicar restrições e correções no processo industrial devem ser feitas com urgência.

A investigação prossegue e não é descartada a possibilidade de que as fraudes – que iniciaram em 2012 – tenham prosseguido até os dias atuais.

A apuração revelou ainda que a fraude contava com a colaboração de executivos da BRF Brasil Foods e do corpo técnico. Também foram constatadas manobras extrajudiciais, operadas pelos executivos do grupo, com o intuito de acobertar a prática dos crimes.

No total, como parte da terceira etapa da Operação Carne Fraca, batizada de Trapaça, a Polícia Federal cumpriu 91 ordens judiciais, sendo 11 de prisão temporária, que tem prazo de cinco dias prorrogáveis; 27 de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo. A terceira fase da Carne Fraca acontece quase um ano depois da deflagração da primeira etapa. Entre as dezenas de investigados e 60 réus, apenas três estão presos.