Índice de Democracia aponta que 77% dos curitibanos nunca participaram de uma manifestação

(Foto: Ricardo Pereira/BandNews Curitiba)

Setenta e sete por cento dos curitibanos nunca participaram de uma manifestação, 73% não votariam se o voto não fosse obrigatório e 62% não conhecem direitos e deveres, e não sabem o papel do governo e de outros cidadãos. Os dados são uma amostra do que será divulgado hoje (06) à noite pelo Instituto Atuação, organização do terceiro setor que promove mecanismos de articulação política e participação cidadã para desenvolvimento da democracia. Em parceria com a revista britânica The Economist, o instituto mediu o nível de democracia de Curitiba.

Os dados devem criar subsídios para melhorar o índice, com o objetivo de transformar a capital em modelo de democracia para o Brasil em cinco anos. O Índice de Democracia já examina a situação democrática em 167 países, mas ainda não havia uma avaliação local. Curitiba é a primeira cidade a fornecer dados para o levantamento. Para elaboração do índice, a The Economist avalia cinco critérios: processo eleitoral; funcionamento do governo; participação política; cultura política; e liberdades civis.

Os entrevistados respondem questionários e recebem notas de 0 a 10 em cada quesito. O gestor do Programa Cidade Modelo, do Instituto Atuação, Jamil Assis, afirma que o relatório vai apontar como está a democracia em Curitiba. O Ìndice de Democracia local tem a novidade de medir a cultura democrática e a participação democrática.

No aspecto institucional, com relação à aplicação das leis e ao funcionamento do governo e eleições, Curitiba teve uma média acima de 60%. Há falhas na resposta do governo, no número que mede o atendimento do governo às demandas dos cidadãos. Jamil Assis afirma que uma das notas mais baixas é da Segurança Pública. Mas as piores notas de Curitiba são em participação e cultura democrática, justamente as duas novas métricas. A nota de cultura democrática ficou em 38,9%, de um total de 100%.

O destaque negativo é o baixo conhecimento político dos curitibanos sobre o quanto as pessoas conhecem direitos e deveres, sobre o que esperar do governo e outros cidadãos. Apenas 15% dos curitibanos confiam nos outros na maior parte do tempo. Os entrevistados também relatam que não confiam no poder público.

Segundo o coordenador do projeto, o dado é preocupante em relação à política e, principalmente, economia. Baixos índices de confiança no próximo costumam resultar em alta burocracia e gastos com garantias de confiança. Isso também faz parte da cultura democrática.

O levantamento também mediu participalçao em eleições, em consultas e audiências públicas. Se o voto não fosse obrigatório, apenas 27% dos curitibanos disseram que votariam com certeza. O restante ou não votaria ou votaria somente caso houvesse um candidato de preferência; e 77% dos curitibanos nunca participaram de protestos, manifestações ou abaixo-assinados.

Ainda não há uma avaliação se esse número é positivou ou negativo no quesito participação democrátia, uma vez que 23% de uma população de dois milhões de habitantes são 460 mil pessoas.

Também há dados sobre a cultura de participação comunitária, sobre o quanto as pessoas são engajadas em associações de bairros, conselhos comunitários, clubes e associações religiosas, que também seria uma forma de envolvimento com o bem comum. O relatório completo será divulgado hoje (quarta) à noite e deve compor o Projeto Cidade Modelo.

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