Ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa do Paraná é condenado a 255 anos de prisão

Foto: Nani Gois/Alep

O ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel, atualmente preso em Curitiba, foi condenado pela Justiça a 255 anos e seis meses de reclusão. Bibinho, como é conhecido, ainda vai ter de pagar multa no valor de um milhão e quinhentos mil reais. A decisão, da qual cabe recurso, é do juiz José Daniel Toaldo, da 4ª Vara Criminal de Curitiba. Abib Miguel é acusado de comandar desvios de recursos públicos, no escândalo conhecido como Diários Secretos, revelado por uma série de reportagens do jornal Gazeta do Povo e da TV RPC em 2010. Cerca de R$ 260 milhões, em valores atualizados, foram desviados com a utilização de 97 funcionários “fantasmas” entre 1997 e 2014. O ex-diretor-geral, além de outros diretores já condenados, pagou para que algumas pessoas cedessem seus nomes para figurarem como funcionários.

Outros nomes foram inseridos nas folhas de pagamento com o uso de documentos obtidos irregularmente, sem o conhecimento dos envolvidos. Os vencimentos desses funcionários fantasmas eram desviados pelo ex-diretor-geral, que transferia os valores para contas pessoais, de parentes e amigos, além de usá-los para pagamento de despesas e investimentos. Parte do dinheiro desviado era destinado à compra de propriedades rurais, cuja exploração gerava renda com aparência lícita apresentada para dissimular a origem do dinheiro desviado. Dos 11 denunciados, outros sete foram condenados, dois foram absolvidos e um morreu durante o processo. As penas de todos os réus, somadas, passam de 637 anos.

Os oito condenados também estão proibidos de exercer cargo ou função pública. A sentença decretou ainda o ressarcimento dos prejuízos ao erário e a perda de bens do ex-diretor-geral, de suas empresas e de terceiros envolvidos nos fatos. Foi decretada a perda de 114 imóveis, 70 veículos, maquinários e valores em dinheiro. A maioria dos bens está registrada em nome do ex-diretor-geral, de familiares e de empresas criadas por ele. Cabe recurso da decisão.

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