Categorias policiais não param atendimentos, mas apoiam greve do funcionalismo estadual

(Foto: divulgação/Sinclapol)

Uma carreata com viaturas antigas e carros em mau estado de conservação das polícias Civil e Científica foi realizada hoje (24) de manhã como forma de protesto das Corporações por reajuste salarial e melhores condições de trabalho. De acordo com a organização do evento, cerca de 200 veículos participaram da iniciativa.

O ato teve início no Parque Barigui e, de lá, o grupo se deslocou até a Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, onde fica o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual. Os manifestantes não foram recebidos pelo Executivo.

Além da Polícia Civil, que já tinha declarado apoio à greve dos servidores estaduais, a Polícia Científica também se manifestou favorável à paralisação. Os peritos criminais não vão cruzar os braços, mas concordam com a pauta de reivindicações. No geral, a principal exigência dos funcionários do estado é a reposição de 4,94% nos salários, percentual que equivale à inflação dos últimos 12 meses. Mas os peritos querem também mostrar a insatisfação da categoria com o cenário que eles enfrentam todos os dias. Quem explica é Paulo Zempulski, presidente do Sinpoapar, Sindicato dos Peritos e Auxiliares do Paraná.

As perícias agendadas também estão mantidas, o que não garante a agilidade necessária na execução do trabalho. O presidente do Sinpoapar afirma que é cada vez mais difícil manter um bom ritmo de atividade por causa do quadro de pessoal muito reduzido. Segundo ele, a categoria é a mais defasada entre as polícias do Paraná; opera hoje com menos de 30% de efetivo.

A Polícia Civil se posicionou sobre o assunto na semana passada: a corporação não para completamente, mas faz operação padrão a partir de amanhã (terça, 25). Nesse sistema, os agentes cumprem estritamente a carga horária legal de trabalho de 40 horas semanais, e com isso o horário de atendimento nas delegacias deve mudar. Nos finais de semana e à noite, por exemplo, apenas os distritos de plantão vão funcionar.

Kamil Salmen, presidente do Sinclapol, Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná, diz que o aumento de casos confirmados de doença mental entre os policiais é uma prova de que a situação dos profissionais é a pior possível.

Antes da carreata de hoje, uma reunião foi realizada com representantes de diferentes setores que operam na Segurança Pública. Entre as saídas cogitadas nesse encontro para melhorar o diálogo entre policiais e governo está a criação de uma comissão de segurança pública com integrantes da base das polícias civil, militar e científica.

Presidente da Adepol, Associação dos Delegados da Polícia Civil do Paraná, Daniel Fagundes conta que o encontro desta segunda serviu para que todas as corporações firmassem um acordo entre si.

O salário dos servidores do Paraná está congelado há quatro anos. Mas, para os policiais, o argumento do governo de que o reajuste provocaria um aumento de impostos não é verdadeiro.


Cálculos de economistas de entidades sindicais do Paraná apontam que o caixa do estado teria condições de absorver o reajuste. Já o governo cita um estudo recente do Banco Mundial, que aponta uma curva ascendente do gasto com salários nos últimos anos.

Segundo esse estudo, somente a folha de pagamento dos aposentados tem subido 7% ao ano, o que compromete o equilíbrio das contas. Em nota, o Executivo afirma que trabalha para encontrar “um caminho de equilíbrio” que não coloque em risco as contas públicas, e se declara contrário a “medidas extremas” por qualquer uma das partes.

Reportagem: Daiane Andrade, Ricardo Pereira e Estelita Carazzai

(Foto: divulgação/Sinclapol)