PM nega erro, mas vai mudar procedimentos depois que vizinhos ligaram para polícia pelo menos 8 vezes antes de mulher ser assassinada

(Foto: Ricardo Pereira/BandNews Curitiba)

A Polícia Militar do Paraná afirma que vai mudar os procedimentos para identificar quais chamadas são consideradas prioritárias nas ligações feitas para os atendentes da Central de Operações Policiais Militares. A mudança acontece após gravações telefônicas mostrarem que vizinhos ligaram para a PM pelo menos oito vezes para denunciar a briga de um casal, que terminou com a morte de Daniela Eduarda Alves, em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba. Mesmo com a mudança, a PM entende que não houve erro no procedimento aplicado no caso.

Segundo o tenente coronel da PM, Manoel Jorge dos Santos Neto, a chamada “grade de prioridades” das ligações vai ser alterada. A quantidade de telefonemas  para um mesmo caso vai ser um dos fatores que agora vai ser analisado.

Segundo as investigações a briga do casal começou por volta das onze horas da noite. A viatura da PM chegou ao local só às duas e vinte de madrugada. Ela já estaria morta há quarenta minutos. Segundo a PM, no momento das ligações dos vizinhos, haviam 17 viaturas em operação e todas estavam em atendimento. 

A Polícia Militar não especificou o que era cada um dos atendimentos realizados naquele momento. O tenente coronel entende que não houve erro da PM.

O tenente coronel também reclamou da falta de efetivo e de problemas com a frota da Polícia Militar. Ele também disse que toda pessoa que liga para a Polícia encara que o próprio caso é prioritário.

Nessa sexta-feira, o governador Ratinho Júnior disse que assumiu o governo com parte da frota da PM parada em oficinas e que existe um estudo para trabalhar com viaturas locadas. A Secretaria de Segurança Pública investiga o caso internamente, para saber se houve algum tipo de erro no atendimento.

Emerson Bezerra, o assassino, está preso por homicídio triplamente qualificado: feminicídio, motivo torpe e meio cruel. As gravações das ligações foram solicitadas pelo Ministério Público e anexadas ao  processo do assassinato.

Reportagem: Felipe Harmata

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