Seis testemunhas foram ouvidas no primeiro dia de julgamento de Carli Filho

 

(Foto: Lenise Klenk/ BandNews FM Curitiba)

No primeiro dia do júri do caso Carli Filho, nesta terça-feira (27), acusação e defesa se confrontaram a partir do depoimento de seis testemunhas. De um lado, declarações que indicam que o ex-deputado federal consumiu bebida alcoólica e dirigiu em alta velocidade até provocar a morte dos dois rapazes no trânsito.

De outro, a defesa tenta desqualificar provas, ao promover um extenso depoimento de um perito criminal particular. Várias testemunhas foram dispensadas, entre elas a deputada federal Christiane Yared (PR-PR), mãe de uma das vítimas do acidente. Ela chegou chorando ao Tribunal do Júri de Curitiba e por diversas vezes demonstrou abatimento.

Até a véspera do julgamento, a presença de Carli Filho era uma dúvida. Mas ele compareceu à sessão e permaneceu no tribunal durante todo o tempo, sentado em frente às mães de Gilmar (Christiane Yared) e de Carlos Murilo (Vera Lúcia Carvalho), que estavam nas primeiras fileiras do auditório.

Um pouco atrás, a mãe do ex-deputado, Ana Rita Slaviero Guimarães Carli, e outros familiares de Carli Filho, como o pai e o irmão, também acompanharam toda a sessão de julgamento. As famílias enfrentaram um dos momentos mais tensos quando fotos do ex-deputado ferido e dos corpos das vítimas foram exibidas em um telão.

O médico José Antonio Maingue, que atendeu Carli Filho após o acidente, estava prestando depoimento. Ele foi questionado pela acusação se saberia apontar que tipo de trauma aquelas pessoas sofreram. O médico Eduardo Missel Silva, que estava com a namorada no restaurante, também foi ouvido e admitiu ter consumido com Carli Filho quatro garrafas de vinho. Ele diz que a namorada teria bebido pouco e assumiu a direção do carro. Segundo o médico, o casal ofereceu carona a Carli Filho, que chegou a entrar no carro, mas em seguida saiu e decidiu dirigir o próprio veículo

Também foram ouvidos motoristas que testemunharam o acidente, assim como o garçom que atendeu Carli Filho no restaurante onde o ex-deputado jantou minutos antes de sair dirigindo. Altevir Gonçalves dos Santos disse ter insistido para que o ex-deputado pegasse uma carona com o casal de amigos com que passou parte da noite. Ele também contradisse o depoimento do amigo de Carli Filho. Segundo Altevir, quem saiu dirigindo foi o médico, e não a namorada.

O perito particular Ventura Rafael Martello Filho, chamado pela defesa como testemunha, disse em depoimento ter encontrado inúmeras incongruências na perícia oficial do caso. Segundo ele, a falta de cuidados técnicos impede qualquer tentativa de calcular a velocidade do carro de Carli Filho no momento do acidente.

O perito rejeita a tese de que o Pssat dirigido por Carli Filho tenha decolado e caído em cima do Honda Fit onde estavam os dois rapazes

 

Sete jurados compõem o Conselho de Sentença. São cinco mulheres e dois homens. Interrompida a sessão de julgamento na noite desta terça-feira (27), todos foram levados para um hotel, onde deveriam permanecer incomunicáveis.

O júri será retomado com os debates em que os representantes da acusação e depois o advogado do réu fazem a sustentação oral por uma hora e meia cada. Há ainda a possibilidade de réplica e de tréplica (uma hora cada). Concluída essa fase, o juiz pergunta aos jurados se estão habilitados a julgar e não havendo mais dúvidas, segue-se para a votação em que se decide se o acusado é culpado ou inocente.